Ontem foi o casamento da minha irmã. Semanas intensas de preparativos, parentes e amigos chegando de longe, muitos detalhes pra resolver e ajustar. Foi lindo! Simples e cheio de graça. Ela estava a noiva mais linda que poderia existir. A cerimônia foi marcante, feita sem pressa, tocante, com músicas lindíssimas. A festa foi uma graça, num clima de muita unidade e fraternidade. Pessoas que não víamos havia muito tempo. Gente querida por perto, sentimos que quem realmente nos ama se fez presente. Os mais preciosos estavam conosco. Momentos realmente inesquecíveis.
Todas essas situações ratificaram em mim a certeza de que só os sentimentos são eternos. É o amor, a companhia, a dedicação dos irmãos, dos amigos, o coração disponível e aberto que realmente importa. O resto é resto. Comida, arranjos, enfeites, bolo... Tudo isso é o de menos. Se aqueles que amamos não estivessem presentes, se não houvesse amor, nada serviria. Tudo é realmente fugaz. Até o tempo. Mas o amor permanece.
É confortante saber disso, porque até os mais simples são capazes de amar. E é isso que dá sentido à vida. É isto que faz a gente querer continuar vivendo: o amor.
A coisa mais difícil que existe é perceber que você não faz mais parte do mundo de algumas pessoas como fazia antes. Às vezes até continua fazendo, tendo importância em certos momentos, mas na maioria do tempo é figurante, nem coadjuvante; uma peça do cenário onde a história se passa. Peça essa que tem seu valor, seu significado, mas já existem outras mais atuais, mais legais, mais próximas, mais a ver com o enredo.
E chegada essa hora de reconhecer-se figurante, é preciso muito peito e pé no chão. Nem sempre se está preparado. Mas não adianta tapar o sol com a peneira. É preciso aceitar. Está certo, não foi opção sua, você não queria ser figurante. Queria continuar atuando, contracenando, tendo falas, sentindo-se importante. Mas a vida é dela, não sua. É ela que determina quem entra ou sai da história. Quem faz o papel do mocinho ou o do bandido. Quem contracena ou fica parado. E a você cabe apenas aceitar e começar a olhar em outras direções. Figurando ali e, dependendo do que traz no coração, aproveitando a deixa para agir diferente com os que entraram na sua história.
Pessoas mudam. Algumas para o bem, outras não. Reconhecer a hora de sair de cena é a maior virtude que se pode ter.
2 de fevereiro é quando os membros da Canção Nova fazem seu compromisso de vida. No mundo inteiro. Acordei pensando na mamãe. Ela é pra sempre! Dia de emoção, de lágrimas, de lembranças, de fotos (incompletas), de filmagens.
Sei que ela estará fazendo seu compromisso do Céu, onde intercede por nós. Aliás, ela nem precisa mais disso. O compromisso que ela assumiu gerou o fruto que ela colhe hoje: vida eterna.
Ultimamente tenho sido mais amiga de mim mesma. Vou observando o que está à volta, ruminando sentimentos, sensações, frases importantes. Tenho tido o prazer de me permitir sair espandongada à rua, quando algumas notas da minha vida estão meio desafinadas. E esse prazer vem como consequência da liberdade de ter compreendido que "o essencial é invisível aos olhos", e que posso estar de vez em quando desalinhada por fora, sem maiores rigorismos e cobranças pessoais.
A liberdade é algo prazeroso de verdade. Ela vem de dentro. De uma experiência profunda de autoconhecimento, do conseguir alterar rotas pessoais que não faziam sentido. E então eu degusto minhas células se renovando. Principalmente as do cérebro, como se eu nascesse novamente. É poderoso quem é livre! E quando eu, espandongada mas liberta, passo por alguém ainda cativo em suas próprias prisões, vejo o quanto cresci, e valorizo ainda mais o meu processo. A liberdade é grande e engrandece!
“A flor respondeu: ‘acha que abro minhas pétalas para que vejam? Não faço isso para os outros. É para mim mesma. Porque gosto. Minha alegria consiste em ser e desabrochar’.” (Schopenhauer)
Gosto de vida, de arte, de gente, de movimento.
Aprendi a amar a terra, o barro, o pisar na grama, sem deixar de apreciar grandes avenidas, construções, arranha-céus.
Gosto de bolacha de chocolate com mostarda, de comida agridoce, de frutas no meio da salada e de pimenta.
Banho de chuva, parque de diversões, cavalheirismo, lua cheia, um filme romântico, andar a cavalo, um bom livro e o ronronar de um gato no colo. No frio, um cálice de vinho tinto com um generoso pedaço de queijo. No calor, um banho gelado, lençol de cetim, passeio de mãos dadas na rua, caldo de cana na feira, andar de banana na praia e vento no rosto.
Amo o mar (como é grande!) para olhar, contemplar, relaxar, mas para nadar prefiro piscina. Água de coco, polenta frita, castanha do Pará, mussarela de búfala e almeirão temperado com limão galego.
Cozinhar com amigos, bater papo, encontrar gente querida, receber um presente inesperado, comer melão gelado (hummm!), olhar um beija-flor na janela da sala, dar banho no cachorro e vê-lo escapar molhado pela casa. Recordar histórias, pisar na neve, reler o livro preferido, assistir a um concerto musical, ir a Campos do Jordão e tomar um caldo quente, ver uma peça de teatro em São Paulo, comer bolinho de bacalhau, ter uma surpresa, tomar amarula, dançar quadrilha, ir à missa, morar em cidade grande, andar de escuna, conhecer lugares novos, conversar, falar inglês, viajar, revelar fotos, dormir profundo, ter um dia na semana só pra mim.
Dançar, usar vestidos de festa, salto alto, ouvir música boa, passear de buggy, comer acarajé, experimentar outros temperos, namorar, ouvir piadas, ver o sol nascer, dormir tarde, nadar em cachoeira, aprender coisas novas, receber olhares apaixonados, ouvir camelôs gritando na 25 de março, ir à Pinacoteca, escrever, segurar a bolsa e sentar na praça da Sé, ir ao cinema na Avenida São João, beber um submarino no “Rei do Mate”, comer pastel vagabundo, valorizar as pequenas coisas e trocar o salto pelo chinelo.
Sopa de laranja, salmão grelhado, suco de uva verde, migas, sorvete de panetone, pão com chocolate derretido.
Acordar com um “eu te amo”, dar risada de um tropeção, sentir que a vida está somente começando, ajudar e receber ajuda, sentir a liberdade de errar e poder voltar atrás, usar uma roupa confortável, pedir perdão, aterrissar depois de uma viagem longa, voltar pra casa, receber uma massagem no corpo todo, passear com cachorros, comer arroz e feijão, fazer planos, ver sonhos se realizando, viver a páscoa, fazer análise, admitir erros, sentir que o amor não acaba e que as pessoas são eternas.
Tenho assistido a filmes muito bons ultimamente. Todos eles me fizeram pensar de alguma forma. Filme é uma delícia! No cinema, em casa, sozinha, com amigos, com o namorado, de dia, de noite, a qualquer momento. Se o enredo presta, se há conteúdo, estouremos a pipoca, bebamos um bom cálice de vinho e aproveitemos!
Alguns que mudaram minha visão a respeito de muita coisa e que me marcaram positivamente: * O som do coração * De repente 30 * Busca implacável * Ironias do amor * This is it! * Muito além do cidadão Kane * Zeitgeist 1 e 2 * Os substitutos
"Tenho aprendido com o tempo que quando julgamos falamos mais de nós do que do outro. Que a maledicência acontece quando o coração está com mau hálito. Que o respeito é virtude das almas elegantes. Que a empatia nasce do contato íntimo com as nuances da nossa própria humanidade. Que entre o que o outro diz e o que ouvimos existem pontes ou abismos, construídos ou cavados pela história que é dele e pela história que é nossa. Que o egoísmo fala quando o medo abafa a voz do amor. Que a carência se revela quando a autoestima está machucada. Que a culpa é um veneno corrosivo que geralmente as pessoas não gostam de ingerir sozinhas. Que a sala de aula é a experiência particular e intransferível de cada um."
Borrifando as plantas, um dia desses, eu me dei conta de que elas lembram muito as pessoas: semelhantes, por natureza, e ao mesmo tempo singulares. Algumas precisam mais de água, enquanto outras podem até morrer se forem encharcadas. Algumas parecem gostar de ficar mais expostas ao sol, enquanto outras se ressentem com a luminosidade excessiva. Algumas resistem bem aos ventos mais fortes, mas outras quedam diante da primeira ventania. Algumas florescem com muita rapidez, enquanto outras demoram temporadas para dizer qualquer flor. Peculiaridades. Amar é querer conhecer de verdade o jeitinho de cada um e aprender a respeitá-lo.
"[...] Não me interessa saber que planetas estão em quadratura com sua lua. O que eu quero saber é se você já foi até o fundo de sua própria tristeza, se as traições da vida o enriqueceram ou se você se retraiu e se fechou, com medo de mais dor. Quero saber se você consegue conviver com a dor, a minha ou a sua, sem tentar escondê-la, disfarçá-la ou remediá-la. Quero saber se você é capaz de conviver com a alegria, a minha ou a sua, de dançar com total abandono e deixar o êxtase penetrar até a ponta dos seus dedos, sem nos advertir que sejamos cuidadosos, que sejamos realistas, que nos lembremos das limitações da condição humana. [...] Quero saber se você é capaz de enxergar a beleza no dia-a-dia, ainda que ela não seja tão bonita, e fazer dela a fonte da sua vida. Quero saber se você consegue viver com o fracasso, o seu e o meu, e ainda assim pôr-se de pé na beira do lago e gritar para o reflexo prateado da lua cheia: 'Sim!' [...] Não me interessa onde, o que ou com quem estudou. Quero saber o que o sustenta, no seu íntimo, quando tudo mais desmorona. [...]"
"Hoje eu acordei sem nada no estômago, sem nada no coração, sem ter para onde correr, sem colo, sem peito, sem ter onde encostar, sem ter quem culpar."
"Um bom confidente, às vezes, é apenas aquele que nos deixa livres para dizermos tudo o que quisermos sobre nós, inclusive bobagens das quais talvez nos arrependamos logo depois de dizê-las. Às vezes, é apenas aquele que interage com o nosso sentimento da vez sem estar com a razão toda arrumada para análises profundas, tiradas magníficas, sermões eloquentes, dos quais nem sempre precisamos. Um bom confidente, essa maravilha rara, é aquele que aproxima, generosamente, a vida dele da vida da gente e, apesar da mágica interação que acontece com essa proximidade, consegue manter a distância necessária para não confundir a sua história com a nossa. Há momentos em que a gente só precisa falar e se sentir, de verdade, ouvido. Só isso. Só isso tudo."
"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente". (Carlos Drummond de Andrade)
Faltam 2 dias para o início de uma nova fase. Já é tempo de fazer um balanço do que passou, deixar o coração descrever como se sente e optar por mudar caminhos velhos.
Minha alma está sedenta disso. Não que eu espere o Reveillon para tomar esse tipo de atitude; ao longo dos outros dias do ano também me dou a oportunidade de modificar algumas rotas, mas a expectativa do que está por vir me inspira a fazer mudanças mais profundas, a ser mais ousada e destemida no início de um caminho novo. Quero deixar o Cristo que nasceu crescer em mim ao longo de 2010. A todos um ano cheio de misericórdia! Um olhar novo e paciente de uns para os outros!