O dia está xexelento hoje. Nem frio nem quente, nem bonito nem feio. Xexelento. Mas se o coração está ensolarado, a vida continua tendo cor. Hoje estou restaurando as cores que se apagaram e conservando as que ainda existem, deixando-as mais vivas. E nesse processo constato que alguns fatos da minha história, tal como uma pintura a óleo, precisam ser vistos com um passo atrás. Não muito de perto. Precisam de uma distância que lhes dê sentido, para que meus olhos não se confundam ao observá-los.
Já diz a música: "lidar consigo mesmo é trabalho de artesão". Hoje sinto-me artista, restauradora de peças valiosas em mim mesma, que foram se perdendo, ruindo com o tempo, envelhecendo, desbotando. Sei que a obra levará tempo para ser terminada, mas como uma criança que não vê a hora de abrir o embrulho do presente, sinto-me empolgada para rever o fruto desse trabalho.
Essa semana aprendi uma verdade interessante: não é o meu comportamento que determina o comportamento do outro. As pessoas agem de acordo com o que trazem em si. Não é porque deixo de comer alguma coisa que as pessoas vão deixar de comer também. Não é porque sou gentil que as pessoas serão gentis comigo. Não é porque digo alguma coisa que gosto que ouvirei também boas palavras em troca. Não sou eu que determino o modo de elas agirem, mas o conteúdo que elas carregam em si mesmas.
Aprendi essa verdade e comecei a observar como isso se concretiza a todo momento. E nem sempre é fácil lidar com essa realidade, porque ao ser boa e ter uma atitude que considero correta, almejo que aqueles que me cercam ajam de modo semelhante comigo. É impossível não criar expectativas de felicidade quando o que ofereço é entrega e gentileza. E ao receber indiferença, a decepção torna-se inevitável.
Já diz o princípio filosófico que o agir segue o ser. O que as pessoas fazem expressa direta ou indiretamente o que elas são. É um princípio um pouco assustador, mas também lenitivo. Posso conhecer bem mais a fundo as pessoas com quem convivo e, em alguns casos, escolher lucidamente minhas companhias.
Estou amando meu processo de crescer, descobrir coisas novas a meu respeito, ser eu mesma, mudar o que não gosto, poder continuar... A vida não tem fim. Nós temos, eu tenho. Mas a vida não. Ela é eterna. O sentimento de eternidade é o mais completo, preenche de verdade...
"Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre... Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!... Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!... Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão... Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma para SEMPRE!"
Nela há um espírito inteligente, santo, único, múltiplo, sutil, móvel, penetrante, imaculado, lúcido, invulnerável, amigo do bem, agudo, incoercível, benfazejo, amigo dos homens, firme, seguro, sereno, tudo podendo, tudo abrangendo, que penetra todos os espíritos inteligentes, puros, os mais sutis.
A Sabedoria é mais móvel que qualquer movimento e, por sua pureza, tudo atravessa e penetra. Ela é eflúvio do poder de Deus, uma emanação puríssima da glória do Onipotente, pelo que nada de impuro nela se introduz. Pois ela é reflexo da luz eterna, espelho nítido da atividade de Deus e imagem de sua bondade. Por outro lado, sendo só, ela tudo pode; sem nada mudar tudo renova e, entrando nas almas santas de cada geração, delas faz amigos de Deus e profetas; pois Deus ama só quem habita com a Sabedoria.
Ela é mais bela que o sol, supera todas as constelações: comparada à luz do dia, sai ganhando, pois a luz cede lugar à noite, ao passo que sobre a Sabedoria não prevalece o mal.
Poucas coisas na vida são tão ricas e lindas quanto as palavras. Amo-as. São cheias de significado, de sonoridade, de sentimentos. O silêncio é reconfortante em muitos momentos, mas palavras bem ditas são benditas. Cheias de bênção, de graça, conforto. Minha amiga Selma me mandou palavras de grande significado. E eu as publico aqui.
Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano, ele treme de medo. Olha para trás, para toda a jornada: os cumes, as montanhas, o longo caminho sinuoso através das florestas, através dos povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre. Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar. Ninguém pode voltar. Voltar é impossível na existência. Você pode apenas ir em frente. O rio precisa se arriscar e entrar no oceano. E somente quando ele entra no oceano é que o medo desaparece, porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano. Mas tornar-se oceano. Por um lado é desaparecimento e por outro lado é renascimento. Assim somos nós. Só podemos ir em frente e arriscar.
Nunca houve noite que pudesse impedir o nascer do sol e a esperança! E não há problema que possa impedir as mãos de Jesus a me ajudar.
Ontem senti uma companhia tão profunda de Jesus! Tive a certeza de que Ele está trabalhando meu interior, dando-me nova vida. Ontem foi uma noite libertadora. Deus realizou milagres! Senti concretamente o amor que Ele tem por mim. Ele jamais se esqueceu do que vivo. Ele nem precisa, mas está atento a mim, ao que sou. E assim como num relacionamento humano é preciso haver empenho diário e decisão para fazer o outro feliz, com Deus não é diferente. Preciso me lembrar dEle todo dia e viver retamente para "fazê-lO feliz". Ele me ama como filha, tem orgulho dos meus progressos, do meu crescimento. E é Senhor absoluto, mas se faz pequeno, se deixa precisar de mim para construir Seu Reino aqui. Ele é delicado, manso e paciente. Respeita meus processos, minhas fases, e não desiste, não abre mão da minha vida. Eu O amo!
Tudo passa e o ontem já passou. Mas é nítida a permanência do Senhor comigo. Esta não muda, é perene. Estável.
Procurei no vento e ele não estava no vento. Procurei na tempestadade e ele não estava na tempestade. Então veio uma brisa suave e ali estava o Senhor. Trazendo a calmaria, o controle, a paz verdadeira e santa. É disso que meu coração estava sedento. Tudo passa, mas Ele é eterno! A verdade é eterna, é segura! E não posso me contentar com menos. Não posso me contentar com uma vida medíocre, morna. O Reino de Deus é conquistado pelos violentos, pelos decididos, por aqueles que não temem em arrancar de sua vida o que os afasta do colo de Deus. Não adianta empurrar com a barriga, levar a vida em banho-maria, achando que só porque eu digo que amo a Deus e vou à missa no Domingo estou garantida! Isso é mediocridade e mornidão! E corro o risco de ser vomitada! Não posso brincar com Deus! E eu me vi acomodada, de repente, dominada pela tristeza, pela apatia. Lutando muito pouco contra sentimentos de derrota que sutilmente foram tomando conta do meu coração. A partir de hoje quero voltar a aproveitar a vida que o Senhor me concedeu de maneira nova. Novo ânimo, novas decisões. Violência comigo mesma! Luta, perseveança! Nada de entregar os pontos! Nada de carregar fardos que não me pertencem! Nada de esquecer o amor infinito e imutável de Deus por mim.
Estou em silêncio. Fechada para balanço. Interiormente quietinha, no meu canto. Pensativa, questionando, analisando, refletindo, me conhecendo. O autoconhecimento pode nos salvar da morte!
"Pra sustentar meu riso, quanto choro é preciso!" Estou na fase de ouvir Maninho. Excelente músico, voz espetacular, frases profundas e melodias calmas. Maninho de manhã, à tarde e à noite... É um bom calmante, uma maneira agradável e menos dolorosa de refletir... Refletir o bem que continuo trazendo em mim e refletir sobre as fases que tenho vivido. Sinto-me como a Lua... Ora crescente, ora minguante... Ora nova, ora cheia... de mim mesma, de alegria ou de tristeza. A noite hoje é de lua crescente. E Maninho... Muito Maninho.
Hoje amanheceu chovendo, mas eu amanheci ensolarada. Os raios da serenidade estavam fortes em mim e a esperança brilhou logo cedo. Com o primeiro bom dia que recebi (do meu pai), já acordei e comecei a agradecer a Deus pela chuva que é somente exterior, e que não impede a primavera da minha vida, o sol raiando e os frutos nascendo aqui dentro.
Viver e deixar viver. Respirar e deixar respirar. Acreditar que o outro pode... e deixá-lo livre para poder! Ser eu mesma sem me deixar amarrar. Servir somente aos que precisam ser servidos. Não impor serviço a quem não precisa. E ser feliz!
Uma amiga querida, a Selma, que há tempos não vejo, mandou pra mim uma poesia do meu poeta preferido. Encheu meu dia de sol... e por isso quis publicar aqui.
Desejo a você… Fruto do mato Cheiro de jardim Namoro no portão Domingo sem chuva Segunda sem mau humor Sábado com seu amor Crônica de Rubem Braga Filme antigo na TV Ter uma pessoa especial E que ela goste de você Música de Tom com letra de Chico Frango caipira em pensão do interior Ouvir uma palavra amável Ter uma surpresa agradável Noite de lua Cheia Rever uma velha amizade Ter fé em Deus Rir como criança Ouvir canto de passarinho Sarar de resfriado Formar um par ideal Tomar banho de cachoeira Pegar um bronzeado legal Aprender um nova canção Esperar alguém na estação Queijo com goiabada Pôr-do-Sol na roça Uma festa Um violão Uma seresta Recordar um amor antigo Ter um ombro sempre amigo Uma tarde amena Tocar violão para alguém Ouvir a chuva no telhado Vinho branco Bolero de Ravel E muito carinho meu.
Disseram-me que estou cascuda. Que tenho apresentado uma casca grossa ao redor do corpo, principalmente do coração. Disseram-me que já fui doce e hoje sou amarga. Que eu escrevia na areia as falhas dos outros e atualmente as esculpo em pedras. Chega um tempo em que o sofrimento vem de mala e cuia, invade a casa e se sente dono do lugar. Determina as nuances dos sentimentos que aquele coração terá, influencia em posturas, olhares, conversas. E então começa uma luta interior pela posse daquela terra que um dia já foi governada por um hóspede mais cavalheiro e menos invasivo. A luta produz ferimentos, sangramentos, mortes. Deixa o solo irregular, cheio de buracos e saliências, um lugar difícil de ser pisado. Quem pisa nele pode machucar o pé ou mesmo levar um tombo. E esses que se machucam por lá vão deixando um pouco do seu sangue, de suas marcas. E às vezes até aumentam os buracos sem querer... Mas o organismo é um excelente empreiteiro, que sabe, aos poucos, pavimentar aquele lugar, aplainar o solo, deixando-o pronto para ser novamente trilhado. No entanto, igual a uma rua recapeada, sobram as cicatrizes, os altos-relevos, aqueles trechinhos com piche recém colocado, que denunciam que ali já aconteceu uma batalha, um rombo, uma história. O coração não é mais novo em folha. Está reformado, não é mais o mesmo. Dentro dele, algumas coisas mudaram de lugar, mas ele ainda é um coração, ainda sabe amar. O recapeamento é feito em meio à vida, ao trânsito levemente desviado, mas fluindo, gente passando, o tempo rolando. É difícil a recuperação assim, afinal, aquele trecho é de fluxo intenso e não se pode colocar ali uma plaquinha: “Não pise! Cimento fresco!”. Tudo vai acontecendo ao mesmo tempo e quando o coração se dá conta a reforma acabou. E mesmo medroso, com remendos novos, doloridos, sem saber como recomeçar, é preciso aguentar o movimento voltando. Sua essência é a mesma, só precisa ser reencontrada.